segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Pedro Cardoso | #Provocações

An Introduction to Friedrich Nietzsche’s Beyond Good and Evil - A Macat...

Dia dos Pais, no Brasil - Father's Day in Brazil

Dia dos Pais, no Brasil, é comemorado no segundo domingo do mês de agosto. No país a implementação da data é atribuída ao jornalista Roberto Marinho, para incentivar as vendas do comércio e, por conseguinte, o faturamento de seu jornal. Festejada pela primeira vez no dia 16 de agosto de 1953.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_dos_Pais
Nada é de graça!!!!

Father's Day in Brazil is celebrated on the second Sunday of August. In the country the implementation of the date is attributed to journalist Roberto Marinho, to encourage sales of commerce and, consequently, the revenue of his newspaper. First celebrated on August 16, 1953.
Source: https://en.wikipedia.org/wiki/Dia_dos_Pais

Nothing is free !!!!

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Citação sobre a escravidão na Europa . / Quote about slavery in Europe.

É significativo que, em todas as línguas da Europa Ocidental, o termo a designar “escravo” (sklave, slave, esclavo, escravo etc.) derive do etnônimo através qual diversos povos eslavos se auto-designavam. Isso leva a pensar que, na época da formação das línguas nacionais da Europa, ou seja, precisamente durante o período (...), os prisioneiros de guerra eslavos provavelmente constituíssem a maior parte dos escravos utilizados na Europa Ocidental.


It is significant that in all Western European languages the term for "slave" (sklave, slave, slave, slave, etc.) derives from the ethnonym through which various Slavic peoples called themselves. This leads one to think that, at the time of the formation of the national languages of Europe, that is precisely during the period (...), Slavic prisoners of war probably constituted most of the slaves used in Western Europe.

Programa Pensamento Crítico - A universidade e o Future-se (E 79)

TUTAMÉIA entrevista Luiz Felipe de Alencastro

A Europa Oriental e Setentrional
No restante da Europa – além das antigas fronteiras romanas do Reno e do Danúbio – as migrações rumo ao Oeste das “tribos germânicas” haviam aberto a via para a expansão eslava que se realizou em duas direções principais: ao Sul do Danúbio, rumo aos Bálcas e ao Oeste, nos territórios onde hoje encontram‑se a Polônia, a Tchecoslováquia, a Hungria e a República Democrática Alemã. Nos Bálcas, os ancestrais dos iugoslavos e búlgaros haviam cruzado o Danúbio no século VI, em seguida haviam atacado as províncias bizantinas da Europa, onde se estabeleceram progressivamente, alterando completamente os dados políticos e étnicos.

Os povos eslavos desempenhariam durante vários séculos, para o mundo muçulmano, o mesmo papel que os povos da África negra: servir como reservatório de escravos9. Vítimas das guerras e invasões incessantes realizadas contra eles, sobretudo pelos seus vizinhos germânicos, ou de suas próprias querelas intestinas, eles eram guardados cativos para servirem de mão de obra, não somente na Europa, mas igualmente nos países muçulmanos. Aqueles que haviam sido feitos prisioneiros na Europa Central eram importados na Espanha muçulmana, passando pelo reino franco, e aqueles capturados nos Bálcas eram mais frequentemente vendidos para nos norte-africanos pelos venezianos. Chamados al‑Sakāliba (no singular, al‑Saklabī) pelos árabes, eles eram empregados no exército, na administração ou, caso castrados, nos haréns10. Na Espanha muçulmana, o termo al‑Sakāliba designou rapidamente por extensão todos os escravos europeus, qual fosse a sua origem, ao passo que ele conservava o seu significado primitivo no Magreb e nos Egito dos fatímidas. Foi no Egito que os eslavos dos Bálcas desempenharam um importante papel, participando como soldados e administradores na consolidação e na expansão do Império Fatímida11. O mais célebre dentre eles foi Djawhar que, após ter conquistado o Egito, fundou O Cairo e a Universidade al‑Azhar. Embora rapidamente assimilados no plano étnico e cultural pela sociedade árabe muçulmana do Magreb e do Egito, contudo, eles contribuíram nos séculos X e XI para modelar a história destas regiões da África Setentrional.

Uma vez convertidos ao cristianismo, a maioria dos povos eslavos foi considerada como caçoes europeias “civilizadas”, ao mesmo título que as outras e deixaram de fornecer escravos vendidos ao estrangeiro. Ao final do século XI, a Boémia, a Polônia, a Croácia, a Sérvia e a Bulgária já eram Estados constituídos, ao passo que, mais a Leste, o reino de Kiev realizava a unificação da maioria dos eslavos orientais Do século VII ao século X, outros povos estrangeiros ao mundo mediterrâneo apareceram na Europa: os vikings (ou normandos), invasores, conquistadores
e mercadores aventureiros que, vindos da Escandinávia em seus navios tecnicamente muito avançados, atacavam as regiões costeiras, alcançando inclusive chegar mais além, subindo pelos cursos d’água. Os seus ataques e incursões prosseguiram durante vários anos, causando importantes devastações e fazendo reinar um clima de insegurança generalizada em numerosos países, dentre os quais as ilhas britânicas e a França. Alguns normandos (chamados al‑Mādjūs pelos árabes) chegaram até a Espanha muçulmana e inclusive até o Marrocos. Na Europa do Leste, os vikings (lá conhecidos pelo nome Varyag) agiram ora como saqueadores, ora como comerciantes, instalando as suas fábricas ao longo dos rios russos. Descendo o Volga, eles atingiram o Mar Cáspio e entraram em contato com os países do califado; quando não estavam a pilhar o litoral da Transcaucásia, eles iam comercializar até Bagdá, trocando peles, espadas e
escravos.

Caso excetuarmos as suas incursões – já mencionadas – no litoral marroquino em 858 ou 859, episódio sem desdobramentos, os normandos não tiveram nenhum contato direto com a África antes do século XI. Um grupo de normandos estabeleceu-se de modo permanente no Norte da França (na Normandia), onde fundaram um potente Estado. Estes mesmos normandos conquistaram a Inglaterra em 1066 e ergueram outro reino no Sul da Itália. A partir dali, eles iniciaram a conquista da Sicília, então muçulmana, da qual se serviram como base para prosseguirem a sua expansão, dirigida em parte rumo a África do Norte. Durante todo um século, os normandos estabelecidos na Sicília desempenharam um importante papel na história política da África do Norte muçulmana.

A Europa Ocidental foi profundamente marcada pelas incursões muçulmanas no Sul e pelos rei dos normandos ao Norte. Tornou-se quase impossível opor uma resistência organizada e centralizada a ataques tão bruscos, realizados em tantas frentes. A responsabilidade de organizar a defesa recaiu portanto sobre os senhores locais que, por conseguinte, tornaram-se cada vez mais independentes dos soberanos, reis e imperadores dos quais eles eram, em princípio, os vassalos e, muito amiúde, ainda mais ricos e poderosos que estes últimos. Esta diminuição progressiva da autoridade central já se esboçara desde a segunda metade do século IX e acentuava a tendência, já existente, ao esfacelamento feudal.

No século XI, a Europa novamente tornara-se uma região relativamente segura, as invasões e migrações haviam cessado de constituir um perigo e uma fonte de perturbações, assim como em vastas partes do continente, o mapa das etnias começou a tomar a sua forma mais ou menos definitiva. Doravante, as modificações no traçado das fronteiras políticas, o surgimento ou desaparecimento de tal ou qual reino, resultarão muito mais do jogo das rivalidades e ambições dinásticas que de migrações de povos inteiros. Não seria inexato qualificar o período da história europeia que vai do século VII ao século XI como era de transição ou mutação, haja vista que ele correspondeu ao surgimento de uma nova Europa, profundamente diferente da Europa da Antiguidade.

Novas nações que, não tendo pertencido a esfera de influencia greco-romana, eram consideradas como estrangeiras ao conjunto europeu, encontraram seu lugar assim que adotaram o cristianismo e os seus valores culturais e aderiram ao sistema político comum. O continente estava politicamente e sobretudo economicamente dividido em incontáveis pequenas unidades que, a partir do século XI, tomaram contudo consciência, primeiramente de modo vago e em seguida com progressiva nitidez, da sua solidariedade religiosa e cultural, notadamente perante o mundo muçulmano. Esta tomada de consciência não foi entretanto assaz forte a ponto de impor um termo as querelas entre as Igrejas Ortodoxa e Católica ou de evitar o grande xiismo da metade do século XI. O século XI igualmente marca o final de uma época de transição no campo econômico: a servidão era desde então o modo de produção dominante da  Europa medieval, onde prevaleciam por outro lado relações de vassalagem, de modo que a estrutura sociopolítica desta região era propriamente de tipo feudal.

Em certas partes da Europa Ocidental e Setentrional, a longa estagnação da agricultura chegara ao seu final com a introdução da carroça pesada, do campo sem cercado, da alternância trienal de culturas, inovações que, em conjunto ou separadamente, permitiram melhorar os métodos de produção de alimentos. Novas técnicas igualmente surgiram na esfera da produção artesanal: Utilização de máquinas hidráulicas para servirem as profissões ligadas a tecelagem ou os martelos e foles das forjarias, graças aos quais foi possível uma melhoria quantitativa e qualitativa do ferro e dos utensílios de ferro produzidos. O transporte por via terrestre foi facilitado pela invenção do timão que permitia utilizar longas carroças e melhor atrelar os cavalos; progressos também foram realizados em matéria de construção naval. Fenômeno de equivalente importância, as cidades conheceram um novo desenvolvimento após uma decadência de vários séculos. Foi na Itália onde ele foi o mais espetacular, com o revigoramento especialmente dos portos de Veneza, Amalfi, Pisa e Gênova. Os mercadores destas cidades costeiras se haviam empenhado, mesmo antes do século X, a estabelecer laços com o Império Bizantino, assim como com os países muçulmanos da África do Norte e do Oriente Médio, para onde eles exportavam madeira para construção, metais e escravos, e de onde eles compravam produtos de luxo, como artigos em seda e especiarias, bem como linho, algodão, óleo de oliva e sabão. No século XI, as repúblicas mercadoras italianas já dominavam o comércio do Mediterrâneo. Veneza, a mais ativa dentre estas repúblicas, obtivera do imperador bizantino o privilégio de comercializar livremente com todos os portos bizantinos e exerceu um quase‑monopólio sobre os transportes marítimos, de modo que Bizâncio tornou-se uma colônia comercial dos venezianos.
No século XI, a Europa Ocidental, não devendo mais enfrentar as numerosas invasões que durante muito tempo haviam ameaçado a sua existência, tornara-se potente o suficiente a ponto de abandonar a sua postura defensiva e preparar-se para passar a ofensiva. A ofensiva começou na Sicília: entre 1060 e 1091, os normandos retomaram a totalidade da ilha dos ocupantes árabes e ali fundaram um poderoso Estado, a partir do qual eles se lançaram ao ataque sobre o litoral e as cidades da África do Norte. Em 1805, Toledo, uma das principais cidades muçulmanas da Espanha, caia nas mãos dos cristãos. Embora a intervenção dos almorávidas e almoradas berberes tenha permitido bloquear a ofensiva crista durante mais de um século, a data da conquista de Toledo marca o verdadeiro início da reconquista, os muçulmanos da Espanha encontraram-se desde então acuados na defensiva.

Ao final do século XI, a primeira cruzada – primeira expedição desta envergadura em terra estrangeira, da qual participaram diversos povos da Europa – obtivera igualmente as suas primeiras vitórias, com a conquista de Jerusalém e de algumas outras cidades do Levante. Durante cerca de duzentos anos, os europeus (chamados francos pelos seus adversários muçulmanos), cujo autentico zelo religioso dos primeiros tempos rapidamente cedera lugar as ambições de ordem muito mais material dos senhores feudais e mercadores italianos, tentaram trazer o Mediterrâneo Oriental para a sua esfera de influencia. Porém, em que pese a multiplicação das cruzadas, os muçulmanos enfraqueceram progressivamente os Estados latinos do Levante com as suas contra - ofensivas e lograram, ao final do século XII, expulsar os últimos cruzados da Palestina. Simultaneamente, o Império Bizantino, objeto da cobiça e da hostilidade dos ocidentais, tornara-se a principal vítima das cruzadas, ao final das quais ele sairia muito enfraquecido. Os verdadeiros vencedores desta luta duas vezes secular foram os muçulmanos e as repúblicas italianas, as quais se tornaram importantes potencias econômicas e comerciais. 

Nas páginas precedentes, levantamos provas amplas acerca das diferentes consequências que a presença muçulmana nas costas meridionais do Mediterrâneo, ou seja, na África do Norte, tivera em relação a Europa Ocidental. Sem subscrever plenamente a tese de Pirenne, é histórica e aparentemente para nós incontestável que, após a conquista árabe da África do Norte, a bacia mediterrânea deixou de pertencer a uma única grande área cultural, tal como fora o caso no milénio precedente, encontrando-se esta região dividida em duas zonas, uma europeia (ou crista) e outra áraboberbere (ou muçulmana), cada qual possuidora  desde então da sua própria cultura e do seu próprio destino.

Para a Europa Ocidental, a África tornara-se parte integrante do mundo muçulmano: justamente desta região foi de onde efetivamente se haviam originado as principais incursões e as grandes invasões, assim como diversas influencias e novas ideias. Quando, posteriormente, laços comerciais mais estreitos estabeleceram-se entre as duas margens do Mediterrâneo, os europeus descobriram uma África ainda muçulmana. Não surpreende, portanto, que a África tenha sido considerada como o principal adversário da cristandade e que os seus habitantes, qual fosse a sua raça, tenham sido julgados e tratados em consequencia12. A ausência de qualquer contato entre a Europa e a parte da África que se encontrava fora da esfera muçulmana Não podia senão confortar uma visão das mais deturpadas do continente, ainda mais especialmente no tocante as suas populações negras. Certos trabalhos recentes, notadamente os de J. Devisse e F. de Medeiros13, demonstraram claramente como esta ignorância e a errônea identificação da África negra ao Islã haviam conduzido os europeus a considerarem os negros da África como seres inferiores, encarnando o mal e o pecado. A atitude negativa, os preconceitos e a hostilidade dos europeus vis‑a‑vis  dos povos de raça negra surgiram desde a época medieval, antes de serem mais tarde reforçados pelo tráfico e pela escravatura.